Descontentamento brasileiro antes da Copa do Mundo

Aumento acentuado da insatisfação brasileiraO clima nacional no Brasil é sombrio, após um ano em que mais de um milhão de pessoas saíram às ruas das principais cidades do país para protestar contra a corrupção, o aumento da inflação e a falta de investimento do governo em serviços públicos como educação, saúde e transporte público, entre outras coisas. Uma nova pesquisa do Pew Research Center constatou que 72% dos brasileiros estão insatisfeitos com a forma como as coisas estão indo em seu país, contra 55% semanas antes do início das manifestações, em junho de 2013.

Avaliações econômicas despencam no BrasilAs opiniões sobre a economia nacional mudaram ainda mais dramaticamente neste período de um ano. Dois terços agora dizem que a economia do Brasil, uma vez em expansão, está em má forma, enquanto apenas 32% dizem que a economia está boa. Em 2013, o equilíbrio de opinião se inverteu: uma maioria de 59% achava que o país estava em boa forma economicamente, enquanto 41% disseram que a economia estava ruim. As classificações econômicas têm sido consistentemente positivas desde 2010, quando a Pew Research conduziu pela primeira vez uma pesquisa nacionalmente representativa do Brasil.

Muitos dizem que sediar uma Copa do Mundo é ruim para o BrasilOs brasileiros também estão preocupados com o impacto que a sede da Copa do Mundo, que começa no dia 12 de junho, terá sobre seu país. Cerca de seis em cada dez (61%) acham que hospedar o evento é uma coisa ruim para o Brasil porque tira dinheiro de escolas, saúde e outros serviços públicos - um tema comum nos protestos que varreram o país desde junho de 2013. Apenas 34% acham que a Copa do Mundo, que o Brasil sediará pela primeira vez desde 1950 e que pode atrair mais de 3,5 milhões de pessoas às doze cidades-sede do país, criará mais empregos e ajudará a economia.

Também há ceticismo quanto ao benefício internacional de sediar uma Copa do Mundo. Cerca de quatro em cada dez (39%) dizem que vai prejudicar a imagem do Brasil no mundo, enquanto um número quase igual (35%) diz que vai ajudar; 23% dizem que não terá impacto.

Essas são algumas das principais descobertas da última pesquisa do Brasil realizada pelo Pew Research Center. A pesquisa é baseada em entrevistas face a face realizadas entre 10 e 30 de abril de 2014 entre uma amostra representativa de 1.003 adultos selecionados aleatoriamente de todo o país.

Inflação, crime, saúde e corrupção. Principais preocupaçõesA pesquisa também mostra uma preocupação generalizada com o aumento dos preços: 85% dizem que este é um grande problema no país. E pelo menos dois terços também dizem que a falta de oportunidades de emprego e a diferença entre ricos e pobres são problemas muito grandes.



Além das preocupações econômicas, a grande maioria também descreve o crime (83%), a saúde (83%), a corrupção política (78%) e as escolas de baixa qualidade (64%) como os principais problemas. Certamente, esses não são desafios novos no Brasil. As pesquisas da Pew Research conduzidas desde 2010 documentaram uma preocupação generalizada semelhante com uma gama de questões sociais, políticas e econômicas, incluindo crime, corrupção e inflação. Mas o atual nível de frustração que os brasileiros expressam com os rumos de seu país, sua economia e seus líderes é incomparável nos últimos anos.

Classificações desanimadoras de Dilma em questões importantes

Vistas Mistas de RousseffA presidente brasileira Dilma Rousseff recebe avaliações esmagadoramente negativas por sua forma de lidar com questões importantes que o país enfrenta. E, embora cerca de metade afirme que o presidente está tendo uma influência positiva na maneira como as coisas estão indo no país, isso contrasta fortemente com as opiniões do antecessor e apoiador de Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva, no último ano de seu dois mandatos presidência. Em 2010, mais de oito em cada dez (84%) disseram que Lula estava tendo um impacto positivo no Brasil.

Como Lula, Dilma recebe melhores avaliações gerais daqueles com renda mais baixa e menor nível de escolaridade. Mas enquanto a influência de Lula foi vista de forma positiva pela maioria em todos os grupos demográficos, Rousseff recebe avaliações negativas da maioria dos brasileiros com ensino superior (70%) e renda mais alta (61%).1A maioria das pessoas com ensino fundamental ou inferior (56%) e rendas mais baixas (58%) dizem que o impacto geral do presidente no país é positivo.

Desaprovação generalizada de RousseffAs opiniões sobre a forma como Rousseff lidou com questões específicas são muito mais negativas do que as avaliações de sua influência geral. Uma clara maioria desaprova a forma como o presidente está lidando com todas as nove questões testadas: corrupção (86% desaprovam), saúde (85%), crime (85%), transporte público (76%), política externa (71%), educação (71%), preparação para a Copa do Mundo (67%), pobreza (65%) e economia (63%).

A desaprovação da maneira como o presidente lida com questões-chave é alta entre os grupos demográficos, mas tende a ser particularmente generalizada entre os mais ricos e mais educados, bem como entre aqueles que vivem em áreas urbanas.

Dilma viu mais favoravelmente do que seus desafiadoresNo entanto, apesar de seus baixos índices de aprovação, a presidente é vista de forma mais favorável do que seus principais adversários nas eleições de outubro, que continuam menos conhecidos. Aproximadamente metade (51%) tem opinião favorável de Dilma Rousseff, que representa o Partido dos Trabalhadores (PT), cerca do dobro da parcela que diz o mesmo de Aécio Neves (27%), candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) , ou Eduardo Campos (24%) do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Todos os três candidatos têm avaliações desfavoráveis ​​em torno da marca de 50%. Aproximadamente um em cada quatro não oferece uma opinião sobre os adversários de Rousseff.

Pontos de vista decrescentes de grupos e instituições nacionais

Opiniões de grupos e instituições originárias do BrasilOs brasileiros expressam muito menos confiança em grupos e instituições importantes do que há quatro anos. Menos da metade (47%) afirma que o governo nacional está tendo uma influência positiva na maneira como as coisas estão indo no Brasil, ante 75% em 2010.

A polícia, que já estava entre as instituições com menor pontuação no Brasil há quatro anos, recebe ainda menos apoio hoje. Em meio a relatos de uso excessivo da força policial durante os protestos do ano passado e casos altamente divulgados de brutalidade policial, apenas 33% dos brasileiros dizem que a polícia está tendo uma boa influência em seu país, em comparação com 53% em 2010.

Da mesma forma, cerca de metade (49%) agora afirma que os militares estão tendo um impacto positivo sobre a maneira como as coisas estão indo no Brasil, contra 66% que compartilhavam dessa visão em 2010. E embora a mídia ainda receba avaliações positivas, menos dizem sua influência é positiva do que há quatro anos (69% vs. 81% em 2010).

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